sexta-feira, 31 de julho de 2009

A Monsanto não quer que o olho do consumidor veja tudo







“Repassando…

A multinacional de sementes transgênicas Monsanto obteve uma liminar de mandado de segurança para impedir a distribuição da cartilha “O Olho do Consumidor” produzida pelo Ministério da Agricultura, com arte do Ziraldo, para divulgar a criação do Selo do SISORG (Sistema Brasileiro de Avaliação de Conformidade Orgânica) que pretendia padronizar, identificar e valorizar produtos orgânicos, orientando o consumidor na sua escolha de alimentos realmente orgânicos.

O link do Ministério está “vazio” tendo sido retirado o arquivo do site.

Em autêntica desobediência civil e resistência pacífica à medida de força legal, estamos distribuindo eletronicamente a cartilha.

Se você concorda com a distribuição envie para os amigos e conhecidos.

Se você não concorda, simplesmente delete este e-mail.”

Para acessar a íntegra da cartilha Clique aqui , está funcionando. A informação já está correndo por aí – no INESC, nos comentários sugerindo pauta no

Conversa Afiada, no Transgênicos Não!, no Fórum de Economia Solidária – “Uma rede que está bombando na internet.”


Enquanto isso, a Monsanto diz que “não procedem os boatos” e “desconhece a origem dessa informação”, mas ao mesmo tempo diz que “se orgulha de ser líder em biotecnologia agrícola e acredita profundamente nos benefícios das culturas geneticamente modificadas [...]” (Parece que eles fazem

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Márcio Souza: "Extrativismo foi nossa maior desgraça, desenvolvimento sustentável e outra balela"

Como anunciado, mais um vídeo da fala de Márcio Souza na Bienal do Livro da Floresta, realizada em Rio Branco em junho último. Neste trecho, Márcio emite sua visão do que foi o extrativismo na história dos estados da Amazônia e manifesta descrença em relação ao desenvolvimento sustentável, seguendo ele, uma invenção dos países ricos para nos manter sem capacidade de decisão sobre nossos próprios destinos.

terça-feira, 28 de julho de 2009

"Revolução Acreana" é mitificação e apropriação ideológica: Márcio Souza


Para o escritor amazonense Márcio Souza, os eventos envolvidos na chamada "Revolução Acreana" ainda são marcados por muito desconhecimento, predominando muita mitificação e apropriação ideológica dos acontecimentos do período. Enfatiza, portanto, a necessidade de estudos sérios e de rigor científico a fim de que se possa superar as versões convenientes e apropriadas politicamente que chegam até nós no presente.

A participação do escritor foi feita na programação da Bienal da Floresta do Livro, em 5 de junho, no Acre, aonde foi convidado a falar sobre "A Moderna Literatura da Amazônia", juntamente com a professora Laélia Rodriges e Jorge Tufic. Realizadas no audotório da Biblioteca da Floresta, ao que tudo indica as falas e opiniões de Souza não agraram muito os anfitriões da florestania. Isso porque não só Márcio, como também Lalélia, desconstruiram os principais fundamentos ideológicos do discurso da florestania, como a idéia de uma revalorização e resgate da história e da memoria acreana tal como feita pelos atuais agentes do governo, assim como uma suposta valorização do extrativismo apoiada nas idéias do desenvolvimento sustentável. Coube ao mediador, o petista Marcos Afonso, a constrangedora tarefa de defender os pilares da florestania, num tom autoritário, visivelmente decepcionado e irritado. Evidentemente que tudo isso não está neste pequeno vídeo, mas em outros fragmentos que serão postados em breve.

Vai aqui o agradecimento ao Dalmir Lopes pela gravação dos vídeos, meio tremidos, é verdade, mas sabemos a dificuldade de participar de debates intensos e acalorados, como foram esses, e ao mesmo tempo assumir o lugar frio do técnico que apenas registra, impassível, os fatos à sua frente. Não foi o caso. De certa forma, a tensão e a intensidade do que foi vivido ali passou da mão de Dalmir para o modo como as informações foram registradas na câmera.

Vai o agradecimento também ao Chico Bento, que "transportou" e disponibilizou o material para que, daqui do sudeste, pudéssemos lançá-los na grande rede.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Dercy Teles avalia situação de seringueiros no Acre

Para ouvir a fala da presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri e conhecer a situação dos seringueiros no estado da FLORESTANIA é só clicar em play no painel abaixo.



Disponível para download no link: http://www.4shared.com/file/118849859/52b88cd4/Dercy_Teles_-_Simpsio_Ufac.html?s=1

sábado, 25 de julho de 2009

A história das Coisas

video

quinta-feira, 23 de julho de 2009

As partes de lá do medo. As partes de cá dos sonhos.

Ainda no Acre escrevi, em 2005, que a Amazônia é o jardim do mundo...

A Amazônia não é o pulmão do mundo.
É o jardim do mundo.
Um dia levaram perfumes, temperos e seivas.
Em outro levaram as sementes.
Dia desses levaram brilhantes.
Depois, ou antes, animais e aves coloridos.
Não satisfeitos, agora levam as árvores inteiras,
só desgalham par aparecer verde só o selo.
Só não levam os jardineiros, que sem temperos,
sem árvores e sem ouro,
empatam nas periferias das cidades e da floresta,
insistindo e replantando as flores.

Hoje, lendo e relendo o poema, sinto, no fundo, bem no fundo da alma (se é que ainda a tenho ou se é que um dia a tive), que a opressão, a violência, a dominação, a exploração, a expulsão e, no limite, a morte, apenas dão pequenas pausas como para acomodar as modas para depois, percebendo que nem todas e todos se “modificam” – que é outra expressão para entrar na moda – voltam, espiam a noite, arrombam as portas, intimidam, roubam o quase nada e...
Sim, só agora talvez tenha compreendido o sentido mais profundo do roubo da Amazônia: levar os perfumes, temperos, seivas, sementes, brilhantes, animais, aves, árvores inteiras... Não, não é esta a etapa derradeira. O “fim”, e só aí a vitória dos ricos estará completa, é o roubo das próprias gentes da Amazônia, ou pela expulsão e morte, ou pela “modificação” – outra expressão para a ação de entrar na moda, na moda do desenvolvimento sustentável. Sim: des-envolver tudo, todas e todos. Só assim tudo, todas e todos estarão consumados. E mais nenhuma flor será depositada na casa última de Chico. Nenhuma.
Porque, “Caboquinho” (seringueiro Nonato Venâncio Flores, expulso no último dia vinte de junho de sua colocação, por um fiscal do ICMBio apoiado pela polícia federal) não pode mais plantar flores. Só, e olha lá, árvores “teca” para a exportação. “É preciso, diriam, que todas e todos demos uma chance à floresta... deixando-a em paz”. A floresta sem gentes, é isso, no final das contas, que o mercado de outras gentes quer. Porque as gentes seringueiras, ribeirinhas e índias têm o “péssimo” hábito de querer “re-existir” – que é outra expressão para resistência – em meio às árvores, que hoje parecem valer mais que as gentes, que a história, que a memória, que as mortes dos “Chicos” todos, que os tacacás, que as macaxeiras, que os peixes, que as jabutis, que as onças, que o Mapinguari, que o Curupira...
Porque depois, ou um pouco antes, outras gentes resolveram arrombar a casa de Osmarino (Osmarino Amâncio, morador da floresta na colocação Pega Fogo, no seringal Humaitá, na Reserva Chico Mendes), levando, como ele mesmo disse, a “minha dormida, meus utensílios, motosserra, furadeira de estaca, roçadeira”. Só não levaram Osmarino porque estava na luta junto com outros seringueiros, na cidade, nas periferias, na floresta, no sindicato (engraçado: fazendo igual ao amigo e companheiro Chico, aquele, o Mendes, enterrado em Xapuri).
E tiram do ar (como tiraram do ar programa de rádio do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri, porque a oposição ganhou a eleição). E tiram da terra. E tiram da casa. E tiram do rio. E tiram da floresta... “Mas quem tira?” Pergunto eu desavisado de tudo, de todas e de todos. De longe, bem de longe, Caboquinho, Osmarino e todos os entes humanos e não-humanos da floresta, sussurram dizendo baixinho que os que tiram são os mesmos que põem os fiscais, a lei, os projetos de desenvolvimento sustentável, os governos das florestas, os mercados da madeira e de tudo não-madeireiro que interessa aos que tiram, e aos que põem. Só não interessam as mulheres e homens, que, desde Wilson, insistem em permanecer onde estão, sem arredar pé.
E se Osmarino tem medo, é porque tudo, todas e todos também devem ter. “Voltei a sentir medo no Acre”. Sim, Osmarino: o medo é parte das gentes que temem não a morte pela morte, mas temem serem o último homem ou a última mulher e, ao olharem para o mundo pela última vez, não verem nada além de mania, megalomania, florestania... e a floresta inteira, sem gentes, só para a “sustentabilidade”...
E hoje, também, li e reli Chico Mendes, que parece ao mesmo tempo tão perto e tão longe. “Conseguimos vencer, [o seringal] Cachoeira transformou-se numa conquista para os trabalhadores e num exemplo temido pelos grupos econômicos que querem destruir a Amazônia”. Chico disse isso no início de dezembro de 1988... o final já sabemos como foi.
E hoje, mais do que nunca, também pensei: “o que mudou, Chico?” O presidente é um ex-retirante, um ex-metalúrgico, um ex-sindicalista... A Amazônia vira a cada dia mais “desenvolvimento sustentável”... O Acre é governado já há onze anos pelo partido dos trabalhadores...
“O que mudou, Osmarino?”
E não deixe o medo tomar conta de tudo, pois, como disse o Chico, só “parte dos meus sonhos já foram realizados”.
A outra parte, Osmarino, ele espera que nós realizemos.


Do amigo Jones
Dourados – Mato Grosso do Sul (geógrafo, professor da Universidade Federal de Dourados - MS)

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Florestania às avessas: as disputas pelo Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri e o desenvolvimento sustentável no Acre

Isac Guimarães

O acompanhamento do processo conflituoso que vem marcando a eleição para a presidência do Sindicato dos Trabalhadores Rurais-STR de Xapuri – trabalhadores em grande parte ocupantes da Reserva Extrativista Chico Mendes – tornou imperativa alguma forma de participação que viesse, minimamente, a tornar públicos os processos atualmente em curso no município onde viveu, lutou e morreu Chico Mendes. O propósito é, evidentemente, contribuir na tarefa de chamar atenção para a gritante e escandalosa contradição que tem marcado a atuação do Governo do Estado do Acre no que diz respeito à alegada valorização dos trabalhadores da floresta e ao fortalecimento de suas atividades, bem como ao modelo de desenvolvimento posto em prática, apontado como sustentável.Enfatizo a contradição porque é, para dizer o mínimo, contraditório um grupo político construir toda uma estrutura de poder apoiado numa reclamada tradição de luta dos movimentos sociais de seringueiros, capitalizar politicamente a imagem e as vozes de lideranças como Chico Mendes e dizer que os princípios e valores que regem tal estrutura de poder são os mesmos desses movimentos, ao passo que a prática mostra exatamente o contrário. Como é possível ser herdeiro de uma experiência e, ao mesmo tempo, envidar todos os esforços para confinar, aniquilar, isolar, quando já não foi possível cooptar o que resta de suas manifestações e de seus agentes, como vem acontecendo com Dercy Teles e Osmarino Amâncio? Como se tem visto, é exatamente isso que vem ocorrendo, o que nos alerta para o elevado grau de cinismo a que chegou a comunicação política naquele estado. Aliás, como sabemos, isso não é exclusividade do Acre que, na verdade, segue a trilha de uma longa tradição nacional de cinismo na comunicação política (independentemente ou, para dizer melhor, contrariamente ao que ocorre na prática) o que, por sua vez, é indissociável das bases autoritárias de nossa formação sociopolítica. E por que a ênfase na comunicação política? O que seria a tão propagandeada florestania senão uma grande arquitetura discursiva construída pelo marketing político e pela propagada através de uma difusão midiática massiva apoiada no rigoroso controle dos meios de comunicação locais?Mas voltando ao sindicato e às lideranças hoje perseguidas e isoladas no contexto do Governo da Floresta (denominação oficial adotada no governo do Acre), é fundamental nos perguntarmos sobre o porquê de tamanha discrepância entre discurso e práticas. Que interesses tão fortes estariam em jogo? A resposta pode estar justamente no modelo de desenvolvimento que se busca consolidar e que essas lideranças, fieis aos princípios que pautaram sua luta nesses últimos 30 anos, se recusam a legitimar por entenderem não ser o melhor para os trabalhadores e para a conservação da floresta, da qual dependem sua existência, a permanência de suas atividades e evidentemente sua identidade como sujeitos e como trabalhadores. Parece ser exatamente este o ponto chave de toda a disputa e das manobras covardes que vêm ocorrendo em Xapuri. Contrariamente ao que se possa imaginar sobre a importância de um simples sindicato de trabalhadores rurais no interior de um estado do interior do Brasil (de acordo com um comentário que li um dia desses num blog da Amazônia), o STR de Xapuri é de importância estratégica. No contexto dessa disputa por legitimidade do modelo embalado como sustentável, o sindicato dos trabalhadores de Xapuri é um instrumento dos mais convenientes: primeiro pelo que representa enquanto marco histórico da luta dos seringueiros daquele município contra o desenvolvimentismo calcado na madeira e na pecuária, nos governos da ditadura. Dispor do sindicato forneceria aos atuais agentes do poder estatal e econômico – de maneira enviesada, evidentemente – aquela relação com a herança dos movimentos que ninguém mais consegue perceber e que está cada vez mais difícil sustentar em público. Porém a serventia maior dessa entidade está no fato não só de permitir maior facilidade na atribuição de falas convenientes a ícones como Chico Mendes, por exemplo, mas no fato de poder dispor do “apoio” legitimador dos sujeitos que hoje ainda vivem e trabalham na floresta. Apoio este que, além de eliminar certos embaraços políticos, facilitaria a exploração madeireira implantada via políticas públicas como carro chefe desse projeto dentro das Reservas Extrativistas, numa dinâmica em que o próprio seringueiro tende a se tornar o madeireiro.Com se vê, o STR de Xapuri (assim como o da vizinha Brasiléia) não é um “simples sindicato” e suas lideranças atuais – esses, sim, contemporâneos e companheiros de Chico Mendes – são ameaça ao projeto oficial, pois são os poucos representantes ainda atuantes daqueles sujeitos que figuram como objeto das falas oficiais presentes no discurso da florestania, mas que nele recusam se enquadrar.Como uma das principais testemunhas das disputas aqui mencionadas, seria proveitoso tornar pública uma fala (áudio) de Dercy Teles feita no primeiro Simpósio de Linguagens e Identidades da Amazônia Sul Ocidental, realizado na Universidade Federal do Acre. Numa das programações constava uma mesa intitulada SERINGUEIROS E AGRICULTORES ACREANOS NO CENÁRIO DO MANEJO MADEIREIRO: QUEM FALA E DE ONDE FALA, composta por Miguel Jorge Martins (agricultor do Benfica), Osmarino Amâncio (seringueiro e agricultor da Resex Chico Mendes) e Dercy Teles (presidente do STR de Xapuri). O evento em si já prometia algo bastante interessante graças ao fato, incomum até então na UFAC, de três trabalhadores rurais serem ouvidos por uma platéia predominantemente acadêmica, lugar onde essas vozes geralmente não ressoam para além dos gravadores das pesquisas de campo de certos pesquisadores e nas publicações dos relatórios de pesquisa, mesmo assim lidos por um público muito restrito.Iniciada a programação, falou Miguel de sua experiência no campesinato, muito boa fala, por sinal, e depois foi a vez de Dercy, que ali fiquei sabendo ter sido a primeira mulher a presidir um sindicato no Brasil, ainda na década de 80. Sem qualquer anotação, com a serenidade, a clareza e a firmeza dos que sabem o que dizem, Dercy começou sua análise do sindicalismo rural no Acre desde os anos dos maiores conflitos até os desafios atuais, quando, segundo ela, se caiu na armadilha de acreditar que os valores do movimento teriam chegado ao poder e que, portanto, não era mais necessário movimento, o que implicou a quase falência dos sindicatos e a desmobilização completa dos trabalhadores. Para Dercy, se os seringueiros hoje migram para a madeira e para a pecuária como atividades produtivas, primeiro, é porque há um estímulo oficial e, segundo, porque não há o necessário e prometido apoio às atividades tradicionais que, por precisarem da floresta para se reproduzir, são as menos impactantes.Embora tenha acontecido há cerca de um ano e meio atrás, essa fala de Dercy já deixava bem claro o que está em jogo hoje na disputa pelo STR de Xapuri, apontando as motivações e salientando que não se trata de um processo recente, restrito a essa eleição.Segue o áudio da fala dessa líder sindical que, juntamente com Osmarino, representam as últimas manifestações do que foi um movimento criativo, autêntico e que mudou temporariamente a dinâmica do avanço do capital sobre a floresta amazônica. Essa luta está se travando novamente agora.

Links para o áudio:
Dercy Teles e Osmarino Amâncio
"VOLTEI A SENTIR MEDO NO ACRE"

(Publicado inicialmente no blog do Altino Machado)

O seringueiro Osmarino Amâncio Rodrigues, considerado um dos sucessores do sindicalista Chico Mendes, está se sentindo ameaçado por se opor ao manejo madeireiro comunitário na Reseva Extrativista Chico Mendes.
A casa dele foi invadida e destruída, mas polícia do Acre não avançou nas investigações após um mês.
- Voltei a sentir medo no Acre, assim como sentia quando lutava com Chico Mendes - disse o seringueiro.
De Brasiléia, por telefone, Osmarino Amâncio Rodrigues conversou com a reportagem.
Leia no Blog da Amazônia.
Publicado por ALTINO MACHADO às 09:22 4 comentários


FETACRE TENTA TOMAR SINDICATO

(Publicado inicialmente no blog do Altino Machado)

De Dercy Cunha Teles, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri:"Caro Altino Machado,Mais uma vez, recorro ao seu conceituado blog para denunciar a tentativa de mais um golpe contra o Sindicato dos Trabalhadores Ruarais de Xapuri, ocorrido nesta quarta-feira (8).Estava em minha colocação, onde predendia trabalhar até a sexta-feira, quando fui acionada pelos diretores que estavam de serviço. Ele relataram que havia dois diretores da Federação dos Trabalhadores Rurais do Acre (Fetacre), de posse de uma ata entidade, onde a mesma, em reunião de sua diretoria no dia 18 de junho deliberou pela intervenção em nosso Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri.A Fetacre constituiu uma junta diretora para comandar o sindicato por 120 dias, alegando que é obrigação da Federação zelar pela lisura do pleito eleitoral de seus sindicatos. Portanto, a junta assumiria todas atribuições da diretoria, sendo que sua missão principal é a convocação e realização de novas eleições.Diante do exposto, entendemos que a diretoria da Federação está equivocada com relação ao seu papel. A eleição do Sindicato ocorreu no dia 30 de maio e fomos eleitos. De acordo com o Capitulo XI do Estatuto da Federação, que trata da Comissão Estdual de Ética, o seu Art. 43º nos diz que a referida Comissão tem o dever de investigar e avaliar as denúncias que lhes são encaminhadas.No inciso a seguir do mesmo Art. diz que:I - Nas denuncias contra um sindicato ou seus Dirigentes, devem ser apresentada por no mínimo 15%(quinze por cento) de seus filiados que estejam em dia com suasobrigações sindicais.No Art. 44º Recebida a Denúncia, a Comissão procederá a investigação da procedência ou não da mesma, elaborando um parecer no qual deverá indicar, se for o caso, a punição a ser aplicada, para posterior deliberação do Conselho Deliberativo da Fetacre. No § 1º desse mesmo Art. diz que a Comissão no exercício de suas atribuições poderá solicitar informações e apresentação de documentos da Fetacre e do Sindicato.Também no § 3º do mesmo Art. nos diz que cópia do parecer da Comissão de Ética será encaminhada ao dirigente ou entidade que esteja sendo investigado, bem como a data em que o Conselho Deliberativo apreciará a matéria, para que este, possa, querendo, apresentar sua defesa. Um outro fator que comprova o desconhecimento da Diretoria da Federação, não só de seu próprio estatuto,mas também com relação ao estatuto de nosso sindicato, é que o Art. 61 do Estatuto do STR de Xapuri nos diz : Caso não sejam realizadas as eleições ou em caso de vacância da Diretoria, caberá à Federação dos Trabalhadores na Agrícultura do Estado do Acre a convocação de uma assembléia geral para escolha da Junta Diretora, composta por três membros. O §2º diz que a referida Junta terá um mandato de 6 (seis) meses não de 4 (quatro) conforme consta em ata da Federação.Então, por todos esses fatores e contradições nos leva a crer que o problema não é de regularização ou de irregularide, pois se tanto os membros da Chapa perdedora, como os Diretores da FETACRE estão preocupados em zelar pela lisura do processo eleitoral, porque não, zelar primeiro pela instituição que dirigem? Pra servir de Exemplo. Não podemos em hipótese alguma ensinar aquilo quenão sabemos fazer?Nós, diretores eleitos, queremos deixar claro que jamais compactuamos com desonestidade ou irregularidede de qualquer natureza, porém, desde que iniciou-se o processo eleitoral do STR, estamos sendo vitimas de golpes sujos e antidemocráticos, a partir da ação judicial impetrada pelo Candidato da Chapa 01 que garantiu a votação dos inadimplentes, bem como o comportamento irresponsável do presidente da Comissão Eleitoral, que tendenciosa e ocultamente, fechou a redação da ata da eleição, dando um parecer de anulação da eleição, sem que nos dá nenhuma ciência, para que assim pudéssemos apresentar nossa defesa.Como se não bastasse, nos vem a Fetacre achando que somos otários e não entendemos o que eles pretendem. Querem apurar as supostas irregularidades, então vamos apurar, mas ouvindo os dois lados. Mesmo porque, se houve irregularidades, não somos nós que temos obrigação de responder por elas, e sim os membros da Comissão Eleitoral. Quem viu essas irregularidades? Precisamos saber. Se votou pessoas de forma indevida? A quem cabia o controle da eleição? A nós que fomos eleitos ou a Comissão Eleitoral? Todos esses questionamentos precisam de respostas, e os que forem de nossa responsabilidade estamos prontos para responder, desde que nos dêem oportunidade porque até o momento temos sido julgados a revelia.Mediante os fatos relatados acima o Sindicato dos Trabalhadores de Xapuri, vem a público, denunciar e repudiar de modo veemente a atitude antidemocrática e ditatorial dos cinco diretores da Fetacre, que assinaram a ata.Reafirmamos nossa luta por um movimento sindical autentico, sem que interferências tendenciosas tentem desrespeitar a decisão da maioria dos trabalhadores."

terça-feira, 21 de julho de 2009

COMO NO TEMPO DA DITADURA

(Publicado inicialmente no Blog do Altino Machado)

A presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri, Dercy Teles de Carvalho Cunha, relata a história do seringueiro Nonato Venâncio Flores, o Caboquinho, expulso nesta segunda-feira (20) da Reserva Extrativista Chico Mendes por força da fiscalização do ICMBio, com auxílio da Polícia Federal:

"Caro Altino,

Escrevo para denunciar o fiscal do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) conhecido como Zé Carlos. Ele abusou e humilhou o seringueiro Raimundo Nonato Venâncio Flores, conhecido por Caboquinho, que em dezembro próximo passado adoeceu e, por morar só, foi realizar tratamento de saúde em Porto Velho (RO), onde tem familiares, retornando em março deste ano. Ao chegar em Xapuri foi informado de que sua casa havia sido arrombada pelo fiscal, que deixou as portas abertas com todos pertences do seringueiro dentro.

Caboquinho conta que antes de ir pra colocação, foi chamado pelo fiscal pra dizer que não botasse mais os pés na colocação, alegando que o fato do mesmo ter se ausentado por três meses caracteriza abandono de posse e o local passará a ser a sede do ICMBio. O seringueiro argumentou que iria voltar por ser aquele seu local de trabalho e moradia desde 1992. Segundo Caboquinho, ao dizer isso Zé Carlos o ameaçou dizendo que se voltasse iria sair de lá preso e moído de pau pela Polícia Federal. Mesmo assim o seringueiro não se intimidou e foi pra sua colocação.

Ao chegar lá, encontrou as portas arrebentadas, dando por falta dos seguintes pertences: duas botijas de gás, quatro machados, dois terçados, dez rastelos, cinco trenas, quatro regadores, quatro enxadas, cinco boca-de-lobos, oito pratos, dez talheres e uma foice. Mesmo assim continuou trabalhando no local sem reclamar do ocorrido a ninguém.

Leia mais:

“Voltei a sentir medo no Acre”, diz sucessor de Chico Mendes

Na semana próxima passada, o seringueiro foi surpreendido em seu local de trabalho pelo fiscal, que estava acompanhado de policiais militares, mandando que o seringueiro desocupasse a colocação. O seringueiro resistiu. Porém, Zé Carlos o ameaçou dizendo: "hoje tu não sai, mas eu vou voltar aqui com a Polícia Federal e vou te mostrar como você tem que desocupar. Você é um invasor, essa terra é da União". E ofendeu o seringueiro com palavras de baixo calão.

Realmente o fiscal cumpriu o que havia prometido. Nesta segunda-feira, 20 de julho, o seringueiro estava limpando o sítio em volta da casa em companhia dos senhores Evaristo Maciel da Silva e José Maria Evangelista, quando o dito fiscal chegou em companhia da Polícia Federal e expulsou o mesmo de sua colocação, acusando o de invasor.

Indefeso e humilhado, o seringueiro não teve outra alternativa a não ser obedecer. Vejamos a que ponto nós chegamos. Lembro dolorosamente esse filme na época da ditadura militar, quando os seringueiros eram expulsos de suas colocações sob ameaça dos pistoleiros, jagunços e polícia, todos a serviço dos fazendeiros.

Jamais imaginei que no atual governo pudéssemos reviver fatos como esse. Funcionários do governo federal, exercendo os mesmos métodos da ditadura: terrorismo, humilhação, criminalizando os trabalhadores. Será que não basta os mesmos estarem condenados a fome e extinção por estarem proibidos de fazerem seus roçados de subsistência? Lembro toda nossa luta em defesa da floresta, quando tínhamos a ilusão de que estávamos defendendo o que era nosso. Grande engano. A prova está aí: só porque o seringueiro se ausentou três meses de sua colocação por motivo de doença perdeu o direito. Cadê o direito de posse que conquistamos? Não vale mais não? Quer dizer que se o trabalhador ficar doente é obrigado a morrer à mingua? Porque se sair perde o lugar.

Vale ressaltar que na colocação de Caboquinho foi realizada uma experiência de desenvolvimento sustentável, onde foram plantadas várias espécies que estão produzindo frutos e madeira, no caso do plantio de teca. Será que quem trabalhou e investiu não tem direito sequer a uma indenização?

O Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri repudia com veemência essa atitude do fiscal do ICMBio e solicita providência por parte de seus superiores no sentido de coibir os abusos, humilhações e constrangimentos causados pelo fiscal ao seringueiro.

Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri firme na luta.

Dercy Teles de Carvalho Cunha
Presidente"

Sustentabilidade insustentável

João Carlos Caribé

(Publicado originalmente no blog Trezentos)

Acabamos de passar pelo evento a Hora do Planeta organizado pela WWF, a proposta era apagar a luz da sala por uma hora, das 20:30 às 21:30. Pouco antes o twitter “bombou” com a tag #horadoplaneta, uma profusão totalmente entrópica de frases e sacadas diversas, eu mesmo entrei na onda sugerindo:

Hora do Planeta

A brincadeira continuou, diversos “twitts” sérios, e brincalhões surgiram, alguns fizeram justamente o contrário, disseram que muitos morreriam nas UTIs, que as luzes das teclas Caps Lock, Scroll Lock e Num Lock estavam apagadas e por ai vai. Isto é perfeitamente natural. Quando organizamos (ciberativistas) o FlashMob em São Paulo foi a mesma coisa, muitos twitts sérios e muita gozação. Como publicitário posso dizer que é assim mesmo, a propagação da mensagem em mídias sociais tem muito do efeito borboleta, trabalha-se a percepção e ai torna-se hype, meme….

Mas meu post não é sobre publicidade, e sim sobre sustentabilidade, e o que vou falar agora certamente não vai agradar muita gente, mas acreditem ou não, não será o fundo preto que na verdade não economiza energia nenhuma, e nem a hora do planeta ou coisas assim que salvarão o mundo. Na verdade o somatório de poucas atitudes podem sim, fazer a diferença, mas na prática, pegando carona no post da Maira, acredito que pouquissimas pessoas estão de fato se empenhando para tornar um mundo sustentável, são estes louvaveis e respeitados quixotes na luta contra a extinção da espécie humana.

Acredito muito que uma pequena atitude pode fazer a diferença, e ela não pode ser minimizada ou hostilizada, mas é que na verdade, em se tratando de vida sustentável somos quase todos hipócritas e egoistas. Ao mesmo tempo em que nos tornamos verdes, continuamos agindo como se o mundo fosse um gigantesco shopping, continuamos consumindo compulsivamente, neste ritmo consumiremos em breve o planeta.

Para salvar o mundo, temos de mudar profundamente nosso estilo de vida, repensar o capitalismo, o consumo e até mesmo nossas vidas, que são consumidas diariamente na ardua de tarefa, que irônicamente se chama “ganhar a vida”, na verdade estamos vendendo a vida para consumir o planeta. Teremos de aprender a viver em coletividade, abandonar a privacidade do automóvel particular, eliminar o consumo de bens não recicláveis, adotar a cultura de otimização extrema de energia, teremos de abrir mão do conforto das lindas e práticas embalagens que adornam nossos mimos, teremos até mesmo de pensar no modelo de moradia, quem sabe o velho modelo de casa da familia onde gerações convivem sob o mesmo teto não seja uma solução? Temos de parar de usar combustiveis fósseis, temos de parar já com a idéia arriscada de extrair metano do fundo do mar.

Temos hoje em dia a tecnologia a nosso favor, a Internet esta ai conectando todo mundo, vamos interagir mais virtualmente, vamos lançar mão da digitalização de bens, vamos “teletrabalhar” mais, vamos repensar nossos espaços de estudo e de trabalho, vamos pensar que o deslocamento diario precisa ser minimizado, vamos invadir as ruas de bicicleta, além de fazer bem a saúde faz bem ao planeta.

Por fim, salvar o planeta pode ser uma verdadeira revolução em nossas vidas, mas temos de deixar de ser egoistas, temos de pensar coletivo, agir coletivo, antes que o próximo cataclisma venha nos ensinar…