Segunda parte da defesa dos princípios florestânicos como valores culturais e políticos para ressignificação do "ser acreano", na concepção do filósofo Marcos Afonso, que mediou a mesa na qual falaram Márcio Souza, Laélia Rodrigues e Jorge Tufic, como parte da programação da Bienal da Floresta do Livro, realizada em Rio Branco, em junho último. A tensa (e, sem dúvida, constrangedora) defesa realizada pelo mediador, em contraposição às falas dos convidados (disponíveis em vídeos postados anteriormente) fecha a sequência de vídeos do evento. Se há uma lição que pode ser deduzida das opiniões apresentadas nesses vídeos, assim como de algumas manifestações dos espectadores ali presentes, é a de que as tentativas de controle das representações e identidades culturais pelas estruturas de poder institucionalizadas, apesar de seu inequívoco potencial mobilizador, sobretudo mediante o controle dos meios de comunicação (como é o caso do Acre) e das instâncias de promoção e difusão cultural, mais cedo ou mais tarde encontram seus limites. Limites estes colocados pela própria diversidade que compõe o tecido social, muitas vezes avessa a generalizações do tipo "somos seres da floresta"; mas também pelas inevitáveis contradições que gradativamente (apesar dos esforços de mantê-la veladas) vão ganhando visibilidade, em especial quando as práticas teimam em negar o que é insistentemente enfatizado nos discursos. A partir desse ponto a coerência da historinha começa a se tonar difícil e os muitos fios que se vão desprendendo retesam o teciso, pensado inicialmente como coeso e uniforme.
Seria ótimo se tivéssemos também depoimentos das chamada "pessoas comuns", que vivem, ou não, no seu cotidiano a florestania. Seria ótimo saber como esses valores se articulam, ou não, a suas vidas e se para elas fazem algum sentido; se fazem, como e quais são esses significados? Apesar de sabermos que as manifestações dos segmentos sociais denominados genericamente de "pessoas comuns", povo ou massa possui suas maneiras e recursos próprios de expressão (muitas vezes não compreendidos ou ignorados pelos agentes públicos), o registro dessas falas poderia ser revelador de uma enorme riqueza, tal como fazia o Varadouro nos idos dos 70. Fica aí a dica para o professor Maurício e sua equipe do curso de Comunicação Social da UFAC, que vêm editando um blog com o interessante propósito de registrar as Narrativas da Floresta. Já que "somos todos da floresta", que tenham todos a oportunidade de falar de suas vidas, do índio, seringueiro, estudante ao servente de pedreiro que habita as periferias das cidades, muitas vezes tendo que, de volta pra casa, pagar pedágio a essa outra categoria de gente genericamente definida como "bandido". Como a florestania se articula a todas esss realidades?
Mais uma vez, parabéns ao Dalmir pela gravação dos vídeos e o agradecimento ao Chico Bento por torná-los acessíveis. Os demais fragmentos encontram-se em posts anteriores.
Com a fala, o professor Marcos:
Com a fala, o professor Marcos:
A conversão de Tufic:

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